O salário mínimo nacional, fixado em R$ 1.621, já está em vigor desde a última quinta-feira, passando a valer oficialmente em todo o país. O reajuste representa um aumento de 6,79% em relação ao piso anterior, de R$ 1.518, e leva em conta a inflação medida pelo INPC em 12 meses até novembro, somada a um ganho real limitado pelas regras do arcabouço fiscal.
Com o novo cálculo, o valor ficou abaixo do previsto no Orçamento de 2026, que estimava R$ 1.631, e também menor que a projeção divulgada pelo governo no fim de novembro, de R$ 1.627. A diferença ocorreu porque a inflação ficou menor do que o esperado, reduzindo o impacto final do reajuste.
Para quem recebe o salário mínimo, incluindo aposentados, pensionistas, beneficiários do BPC e trabalhadores com renda vinculada ao piso, o valor atualizado será percebido nos pagamentos realizados a partir de fevereiro, seguindo o calendário oficial do INSS e dos programas sociais.
A Constituição Federal determina que o salário mínimo deve ser suficiente para atender às necessidades básicas do trabalhador e de sua família, como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e previdência, com reajustes periódicos para preservar o poder de compra. Apesar disso, o Dieese aponta que o salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.067,18, mais de quatro vezes o valor atual.
Segundo o Dieese, o salário mínimo serve de referência direta para cerca de 59,9 milhões de brasileiros, entre trabalhadores formais, aposentados e beneficiários de programas sociais, além de provocar efeitos indiretos na economia, como o aumento do consumo e do salário médio.
O valor de R$ 1.621 resulta da retomada da política de valorização do salário mínimo, que considera a inflação pelo INPC e o crescimento do PIB de dois anos anteriores. No entanto, o ganho real foi limitado a 2,5%, conforme o teto do arcabouço fiscal. Sem essa limitação, o piso poderia ter chegado a cerca de R$ 1.636.
Do ponto de vista fiscal, o reajuste amplia os gastos públicos. De acordo com estimativas oficiais, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera cerca de R$ 420 milhões em despesas adicionais para o governo federal. Assim, o aumento de R$ 103 em relação ao valor anterior representa aproximadamente R$ 43,2 bilhões a mais em despesas obrigatórias, impactando o orçamento e reduzindo a margem para gastos discricionários.





